MERCADO
Apex Partners afasta fundador após apontar rombo de quase R$ 1 bilhão em Vitória
Apuração interna da plataforma de investimentos identificou inconsistências de R$ 985,6 milhões; Justiça suspendeu execuções contra as 178 empresas do grupo.
Da Redação
Redação O Trunfo
Publicado em 19 de outubro de 2026, às 17h10 Atualizado em 22 de outubro de 2026, às 21h18 Atualizado há 15 dias
A Apex Partners, plataforma de investimentos com sede em Vitória, afastou da presidência o fundador Fernando Antonio Kulnig Cinelli depois de uma apuração interna identificar inconsistências financeiras de R$ 985,6 milhões — um rombo de quase R$ 1 bilhão. O diretor financeiro, Eduardo Siqueira, também foi retirado do cargo. A decisão foi tomada pelo conselho de administração em agosto, e a presidência passou interinamente a Marcelo Murad, sócio da casa há mais de 25 anos.
O grupo reúne 178 empresas, entre holdings imobiliárias, veículos de capital de risco, consultorias financeiras e negócios de educação e alimentação, e é sócio, por meio do fundo BRM Carbyne Voyage, de 15,5% da CVC, maior agência de viagens do país. Segundo apurou a imprensa capixaba, parte do problema estaria ligada justamente à compra de ações da CVC, que acumularam forte queda nos meses anteriores. Cinelli renunciou ao conselho da companhia de viagens um dia antes de ser afastado da Apex.
Em nota, a empresa afirmou que tomará medidas para "garantir a segurança e a solidez das operações" e para apurar responsabilização cível e criminal, além de contratar uma auditoria externa. A Apex também ingressou com ação contra o fundador por gestão temerária e má-fé, com pedido de bloqueio de bens. Cinelli, por sua vez, disse em nota estar comprometido com a preservação da companhia e disposto a esclarecer as questões levantadas.
Na Justiça, os advogados dos sócios obtiveram na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória uma tutela cautelar que suspendeu as execuções contra as empresas do grupo. A Apex ressaltou que a medida "não é um pedido de recuperação judicial", e sim uma proteção preventiva, e que os valores apontados não são dívidas vencidas, mas obrigações de longo prazo. Pela liminar do juiz Marcos Pereira Sanches, o grupo teve 30 dias para decidir se pediria formalmente a recuperação judicial, e uma administradora judicial foi nomeada para periciar as operações.
A proteção judicial não alcança recursos de fundos de investimento, certificados de recebíveis nem sociedades de propósito específico ligadas a empreendimentos imobiliários — ou seja, o dinheiro de investidores nesses veículos não entra no escudo contra execuções. A Secretaria de Estado da Fazenda informou que não há recursos do Tesouro Estadual nem do Fundo Soberano do Espírito Santo investidos na Apex Partners.
Fonte: Rede Notícia ES
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