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Muqui

PMs usam bombas e atiram contra grupo que comemorava vitória de Lula em cidade do ES; veja vídeo

Militares utilizaram bombas, balas de borracha e spray de pimenta durante manifestação na noite deste domingo (25), após o resultado das eleições.

Publicado em 26 de outubro de 2026, às 20h05 Atualizado em 26 de outubro de 2026, às 20h37 Atualizado há 11 dias

Policiais militares utilizaram bombas de gás, balas de borracha e spray de pimenta para reprimir um ato de comemoração pela reeleição do presidente Lula (PT), na noite de domingo (25), após o resultado do segundo turno das eleições. Um vídeo mostra um grupo de policiais avançando contra pessoas que comemoravam nas ruas após a divulgação do resultado das urnas.

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Políticos do PT e de partidos de esquerda pediram, nas redes sociais, que o caso seja investigado. Ao O Trunfo, a Polícia Militar informou que a Corregedoria da corporação abriu uma investigação para apurar a conduta dos policiais filmados.

Em nota, a PM alegou que a atuação dos policiais, "no contexto da divulgação dos resultados das eleições presidenciais, teve como objetivo preservar a ordem pública, garantir a segurança dos cidadãos e dos próprios policiais, assegurar a livre circulação de veículos e pedestres e evitar o agravamento de situações que colocavam em risco a segurança viária e a integridade física dos envolvidos". A corporação, no entanto, não explicou quais seriam essas situações.

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"Inicialmente, a manifestação transcorria de forma pacífica. No decorrer do movimento, porém, a equipe policial identificou comportamentos que passaram a comprometer a segurança e a ordem pública. Em um primeiro momento, os militares adotaram medidas preventivas e orientativas, solicitando aos presentes que desocupassem a pista de rolamento da Avenida Avides Fraga, em razão do risco de acidentes e atropelamentos. Posteriormente, com o aumento da aglomeração, a obstrução total da via e o registro de hostilidades contra a equipe policial, a situação evoluiu para um cenário de maior risco", alegou a PM.

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"Conforme o registro da ocorrência, os militares foram alvo de ofensas e intimidações e visualizaram indivíduos arremessando garrafas e pedras em direção à equipe. Diante desse contexto, foram utilizados instrumentos de menor potencial ofensivo com o objetivo de conter as agressões, proteger a integridade física dos policiais e das demais pessoas presentes e restabelecer a ordem pública. Durante a intervenção, não foi possível identificar e deter os envolvidos. Até o momento, não há registro de pessoas feridas relacionadas à ocorrência. A atuação policial será apurada pela Corregedoria da PMES, a fim de esclarecer as circunstâncias dos fatos e verificar os procedimentos adotados", informou a corporação.

A deputada estadual Camila Valadão (PSOL), reeleita com a maior votação do Espírito Santo, afirmou que "o que aconteceu em Muqui é inaceitável! Pessoas que saíram às ruas para comemorar foram recebidas com bombas, tiros e spray de pimenta pela tropa de choque da PM. Houve pessoas feridas, e as imagens mostram a violência usada contra quem estava ali".

A parlamentar também argumentou que "é revoltante que um momento de alegria termine assim. Nada justifica a violência e a truculência contra a população. O direito de se manifestar precisa ser respeitado, e o que aconteceu em Muqui precisa ser apurado. Nossa solidariedade a todas as pessoas atingidas!".

A deputada estadual Iriny Lopes (PT) também se manifestou sobre o caso. "Apesar da alegria com a vitória das urnas, não podemos calar perante a violência e a arbitrariedade. O que aconteceu em municípios como Muqui e Pedro Canário é inaceitável. Pessoas saíram às ruas pacificamente para comemorar e foram recebidas com truculência, agressões e abuso de poder. A comemoração é um direito constitucional. A ação policial só se justifica quando há motivo real, o que claramente não existiu.

Tudo está fartamente documentado, com nomes e provas. Já solicitamos a abertura de inquéritos para apurar as responsabilidades e punir os abusos. Não vamos nos calar! Encorajamos todos os municípios que passaram por situações semelhantes a denunciarem", declarou.

A Igreja Católica, por meio da Paróquia São João Batista de Muqui, também divulgou uma nota em que manifestou solidariedade "a todas as pessoas que, na noite de ontem, viveram momentos de tensão e sofrimento durante as comemorações eleitorais em nossa cidade. Compreendemos que a democracia também se expressa na alegria, na manifestação pacífica e no direito de cada cidadão celebrar suas escolhas. Por isso, os acontecimentos registrados nos preocupam e merecem ser esclarecidos".

"Neste momento, não queremos alimentar conflitos, nem colocar a população contra as instituições. Queremos, sim, reafirmar que a paz se constrói com respeito, diálogo e responsabilidade. A população merece ser ouvida e tem o direito de receber uma resposta clara sobre o que aconteceu. Como Igreja, acreditamos que a autoridade deve servir à proteção da vida, à garantia dos direitos e à promoção do bem comum. Por isso, esperamos que os fatos sejam devidamente apurados e que os responsáveis prestem os esclarecimentos necessários", diz a nota, assinada pelo padre Enildo Genésio de Souza.

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